sexta-feira, 19 de abril de 2019

O Himeneu das Estrelas

colheita da luxúria lírica
o filão de estrela
retrata a paisagem do Caos
líquenes
revestem a superfície do amor fati
a mulher desgrenhada
carrega em seu útero
os sóis gêmeos


a plenitude do abismo
é o sarcasmo
ou o vício de dissabores
do sangue anódino
a língua de turmalina
chupa a secreção do sol
os olhos crispados
do chimpanzé eunuco


descubro uma jazida
de truculentos malmequeres
no turbilhão hipnótico
das flores
segundo a lenda urbana
que relata a ressurreição
das gárgulas
épicas durante o terror
revolucionário

quinta-feira, 18 de abril de 2019

A Tutela do Fogo

a fábula fenícia salta
da placa
de argila reverberando
nos cafés da cidade
desvendando
a mensagem criptografada
num quarto sujo
de motel
ninho à beira da estrada
surgem geoglifos
no asfalto suburbano
um corpo cai
da janela inextricável
sol confinado
no quarto do pânico
trago as amostras
de puro desespero
dentro da mochila
policial à paisana esfolando
a pele do anjo negro
a ignorância
imanente é a raiz
do contentamento
tantra amordaçado
pelo transe profundo
você veste a alegoria
aterradora da fome
para o encontro
com a pomba-gira
motoqueiros piratas
embevecidos
com o piano cáustico
e seus acordes femininos
pungência do Carma
as hienas quebram meus ossos
atrás do tutano astrológico

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O Sangue do Mangue

seus olhos niilistas
eclipsam
               os aforismos pungentes
a canção exânime
fura o miolo do oceano
mutilador da lua
                          e sua exegese
a joia da sabedoria
berra no vestíbulo da vulva
o fantasma
                  da liberdade diariamente
dramatiza o seu assassinato
a náusea
da compaixão chupa
                                  os raios da pestilência
gotas de topázio nos olhos
do lince
fauna babilônica
                           sob risco de extinção
pilha de cadáveres delicados
atulhada
na vala comum
                         reinventa-se o corpo de desejo
sempiternamente
na amplitude
incerta do apetite
lunar
        a pulsão de cores
emerge do corpo
da mulher evanescente
                                      a possessão
demoníaca e seu sangue
miraculoso
                 borbulham no olhar
da Medusa

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O Silêncio Prolixo

o tubo entalhado
no ar duro
                circunda a praça
onde minotauros
praticam o tai-chi-chuan
com o fio de seda  
                             urde-se o símbolo
da queda
estômago do dilúvio
soberbo
             qualquer gato de sílex
pode espantar
o tédio com suas garras
cravadas no dinamite
                                  congregação
dos ciborgues intrínsecos
eles narram
a história dos cometas
etruscos
              a história do amor autóctone
uma ilusão prolixa
                             alcança a corola do céu
antecipando o crescimento
das crianças

domingo, 7 de abril de 2019

O Comparsa do Símbolo

os vagalumes
desfrutam a plenitude
                                 dos jogos olímpicos
pandemia do amor louco
ou o pandemônio
                            na roda-gigante?
qualquer cemitério
possui uma corcunda
inolvidável
                  um par de chifres
absconsos espeta
as nuvens da melancolia
                                        chave do niilismo
extremo e avassalador
um pneu de lábios
carnudos
               surpreende o trovão
sofista
as flores de fogo
serão defloradas no festival
                                             das estrelas
o ladrão de flores
suprime
o contorno da lua
                            e suas superstições
redutoras de sentido
suas pupilas
contraem-se
                    com o jorro do leite negro
meu fantasma
reside numa ermida
                                  semovente

sábado, 6 de abril de 2019

Pederneira em Carne Viva

há pouco ele
controlava a geração
                                  espontânea
das libélulas indóceis
culto ao bezerro
de ouro
             essa mulher pungente
tem o salvo-conduto
para o amor desmedido
sincronia
               dos anéis de fogo
a cabeça helicoidal
explode
mas talvez
                  mantenha incólume
as cartas dos suicidas
censo dos fabulosos
                                 animais perpetradores
de prodígios
                    outros ciclones
visitarão o aquário
do deboche
                   como iscas peremptórias
trespassando a madrugada
as cicatrizes
que deixara em meu crânio
veemente
                agora gritam
de dores cruciantes

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Vivissecção da Vertigem

você incensa o monstro
infecundo
                o acúmulo de orgasmo
estremece
a moqueca surrealista
                                    a mulher anoréxica
respira o alento da tarde
o pântano promíscuo
                                 distorce o espaço-tempo
o sangue heróico
ceva as águas abandonadas
                                              a santa burlesca
que equilibra o sol
em sua testa
vertigem periférica
                              e gambiarra da luz elétrica
garças hemofílicas
e tucanos
falsários da beleza
                              suprema
cadê o gato preto
da biblioteca dos livros
                                    irreverentes?

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Cosmovisão de um Erotômano Taoísta

coice dos girassóis
contra o pudor
da névoa
              o colibri enrola o tabaco
de nata
você sorri para a turbulência
da xilogravura
                      os moinhos dentuços
vertem a visão
dos místicos
obesos
           nos vagalumes proscritos
rotação das pétalas
marinhas
busco o silêncio sádico
                                     quando arranco
as asas dos anjos satíricos
a eternidade
pousa no orvalho lúcido
o mar desenrola
                          a matilha
de fadas mortíferas
ovos de ampulheta
escancaro a porta
                             do paraíso
onde a boca da orquídea
mordisca
               os mamilos ofegantes
do cinismo

O Corolário da Impostura

o bicho-preguiça
abraça a penugem
do tufão
            tsunami lavando
o ventre
incandescente
                      serpenteando em suas coxas
líquidas
vergando a crista solar
o Carma soletra
                         seu nome inefável
como um papagaio atingido
pela catarse
a estrela morta
                        mergulha nas águas da aurora
e colhe o cacau
muscular
tentáculos de morfina
                                   a anátema da lua
ilumina o flanco
do cadáver delicioso
o pesadelo
                  me marca com o ferro
em brasa e Iemanjá
faz o parto
do satélite artificial